PROJETOS NO CLÃ

O Escotismo, segundo seu Projeto Educativo, visa desenvolver líderes a serviço do próximo, integrados na sociedade, guiados por valores espirituais e comprometidos com seu projeto de vida. Líderes capazes de encontrar seus próprios caminhos na sociedade.

O Ramo Pioneiro é a última etapa do processo educacional escoteiro. Por isso, estimula o jovem a colocar a formação adquirida nos ramos anteriores (Lobinho, Escoteiro e Sênior), a serviço de si próprio e da sociedade.

O Clã Pioneiro é, portanto, uma aposta formidável, uma aposta de alguns jovens que associam seu ideal de liberdade e seus sonhos de um mundo melhor e colocam suas energias e suas esperanças para inventar e construir, juntos, uma nova vida.

Para transformar esta aposta em realidade e completar a formação dos Pioneiros para a vida adulta, o Clã adota estruturas organizacionais (cargos e funções) e métodos de ação (formas de atuar e procedimentos administrativos) semelhantes aos normalmente adotados pela maioria das organizações existentes na sociedade, sejam elas órgãos públicos, associações ou empresas.

Desde há muito, o Clã, assim como o Escotismo em geral, vivencia o trabalho em equipe e pratica, de forma natural, técnicas que só recentemente foram "descobertas" pelas organizações profissionais.

As mais variadas organizações investem hoje de forma significativa para desenvolver em seus membros habilidades que o Escotismo vem praticando desde sua criação: liderança, criatividade, iniciativa e participação.

Os projetos são parte da vida diária de qualquer moderna organização. Assim o Clã os adota como principal ferramenta didática. Neste exercício, os Pioneiros gerenciam juntos ou individualmente seus projetos. É seu modo de vida, de assumir-se, sendo responsáveis por si mesmos e pelos outros.

No Clã, a escolha de um projeto estabelece objetivos nos quais cada um vai investir sua própria pessoa, assumindo na equipe um papel atuante. Cada Pioneiro, como membro da equipe, enriquece o projeto e o faz evoluir para tornar-se realidade.

É assim, através do desenvolvimento de projetos em equipe ou individuais que o Clã torna-se espaço de liberdade e dá a cada um oportunidade e meios para atingir o sucesso.

Assim como qualquer grupo bem organizado conta com especialistas nas diversas técnicas, o Clã tem lugar para cada um atuar em função de sua capacidade e interesse. Tanto dentro das equipes como no Clã como um todo, o Pioneiro tem oportunidade de expressar-se.

Um dos desafios de nossa geração é que cada homem seja dono do seu relacionamento com os demais, que tenha consciência de sua dependência em relação aos demais. Que participe da vida coletiva sem explorar o outro e sem ser explorado. Cada homem pode e deve decidir o seu futuro.

 Isso é possível no Clã?

A COOPERAÇÃO, UM ESPÍRITO
E UM MÉTODO

A cooperação entre membros de uma organização é sempre desejável, mas o que cada um entende por cooperação já é motivo de alguma controvérsia. Alguns escondem a sua preguiça atrás de discussões intermináveis. Outros recusam aceitar qualquer autoridade achando que o papel do líder não tem nenhuma utilidade. Preferem ver boas idéias perdidas na anarquia a aceitar que cada um tenha um papel bem definido. Outros, por fim, inseguros pela falta de objetivos simples os quais poderiam ser atingidos sem dor de cabeça, recusam colocar a "cabeça" para trabalhar. Geralmente, eles querem voltar ao tempo em que gerente ou o chefe pensava em nome de todos e dirigia as atividades sem a opinião de ninguém.

Muitos consideram as novas relações de cooperação e trabalho em equipe como utópicas. A dificuldade situa-se no coração e nas mentes de cada um de nós. Está lá o estímulo à competição desenfreada, o instinto de dominação, o orgulho, o egoísmo e a indiferença. Trata-se de mudar a nossa própria mentalidade: participar é acrescentar a sua cota, não tirá-la.

Cooperar num projeto é dar o melhor de si, não para chegar primeiro, mas visando o sucesso do grupo. Mesmo superando o espírito de competição, é difícil. Normalmente, queremos ir rápido, mas fazer as coisas acontecerem com a participação de todos é um processo mais lento (só no início!), mas o resultado do trabalho em grupo, de forma organizada, com objetivos claros e do conhecimento de todos, é muito mais produtivo.

Para ter êxito vivendo desta forma, o mais importante é a relação que temos com os demais - o diálogo.

Técnicos em relações humanas poderão ajudar-nos a melhorar o relacionamento - mas além das técnicas, é nossa atitude individual que está em pauta.

Você compreende porque no Clã insistimos na aprendizagem de técnicas de trabalho em grupo, na maneira de empreender um projeto e a divisão do trabalho em equipe? Isto é a vida do Clã.

Não existe livro do aluno, livro do mestre, nem modelo, nem projeto típico, simplesmente um MÉTODO de trabalho em comum e uma maneira de viver o projeto para cada um.

UM MÉTODO PARA GERENCIAR UM PROJETO

Cada ação do Clã, mesmo que de curta duração, deve ser escolhida por todos os membros do Clã. Os projetos devem passar pelas seguintes fases:

·        Escolha da atividade

·        Compreensão da abrangência, reflexão e aná-lise

·        Organização e Planejamento

·        Execução

·        Avaliação

·        Realimentação

Mesmo se o projeto (da escolha até a realimentação) dura um dia ou um ano, ele se desenrola nessas fases. Ninguém terá assim a impressão de ser "manobrado" por alguns ...

As palavras "organizar" e "avaliar" deverão se repetir tantas vezes quantas forem necessárias durante o pro-jeto, pela razão que uma é chave da outra. Organizar e avaliar não somente é parte integrante de um bom projeto como também do dia a dia de um bom Clã.

Parar para uma avaliação ao final de cada atividade, ou no mínimo uma vez ao mês, é uma atividade saudável na vida de um Clã.

REGISTRO

Nenhum projeto seria completo se não fosse registrado. Cada etapa de cada fase deve ser relatada bem como cada problema e suas respectivas soluções. Recomendamos que o registro seja feito na medida dos acontecimentos para não perder nem as informações nem sua ordem cronológica.

Todos esses dados formarão o rela-tório do projeto o qual, devidamente arquivado no Clã, pode vir a ser consultado no futuro, constituindo o histórico do Clã, reforçando a sua mística.

Todos os participantes do projeto poderão anexar uma cópia do relatório ao seu processo de Insígnia de B.P.

NA PRÁTICA...

Em primeiro lugar, é imprescindível fazer o "estudo do caso" para conhecer perfeitamente o que se propõe, as condições nas quais o projeto vai ser desenvolvido. Nesta fase deve-se tomar consciência da amplitude do desafio abraçado. É um projeto realizável? Está ao alcance das possibilidades do Clã?

Para poder realizar o projeto devem ser respondidas as seguintes perguntas:

O QUÊ? (qual é a tarefa?)

QUEM? (quem vai fazer o quê?)

COMO?

COM QUÊ? (recursos materiais, equipamentos etc..)

QUANDO? (em que momento executar as tarefas e terminá-las?)

ONDE? (onde vamos fazer cada tarefa?)

QUANTO? (quanto recurso financeiro vamos precisar?)

Ainda é necessário:

1.     Obter a autorização de quem de direito

2.     Avaliar o material necessário

3.     Verificar o custo deste material

4.     Verificar se no Clã ou no G.E. dispõe-se das qualificações necessárias.

5.     Procurar profissional para orientar os trabalhos

6.     Procurar recursos primários

7.     Transportar o material

8.     Definir qual é a mão de obra necessária e onde buscá-la

9.     Reunir a mão de obra

10. Executar

O relatório do projeto deve conter:

·        Escolha da idéia (descrever todos os procedimentos e fases que permitiram a definição final do projeto).

·        Planejamento e programação (descrever todos as modificações decorrentes das dificuldades encontradas, bem como o planejamento inicial)

·        Organização (descrever como foi realizado o projeto).

·        Coordenação (descrever como foi feita a coordenação: quem, como, quando ...)

·        Relatório do desenvolvimento (descrever com detalhes a realização do projeto, as atitudes tomadas diante das dificuldades, as soluções adotadas, os imprevistos, o que aconteceu...).

·        Avaliação (descrever as diferenças ocorridas entre o planejado e o real ocorrido, as lições aprendidas, o que não pode se repetir no futuro, o que deve ser melhorado, o que deu certo para aproveitamento futuro).

OS DIVERSOS PROJETOS NO CLÃ

São cinco os tipos de projetos no Clã, a saber:

·        Os projetos de Clã;

·        Os projetos comunitários;

·        O desenvolvimento comunitário;

·        Os projetos profissionais;

·        O projeto de I.B.P.

O PROJETO DE CLÃ

Entende-se como projeto de Clã toda atividade planejada como:

·        Auxiliar uma outra sessão do seu grupo a realizar uma atividade (acantonamento, acampamento, festa de aniversário de grupo, etc..)

·        Realizar uma atividade no Clã como acampamento, assistir a uma peça de teatro seguindo o espetáculo com um debate, ou atividades especiais como espeleologia, safari, fotografia, mergulho, enfim qualquer atividade que requeira um planejamento elaborado.

Para ter sucesso, o projeto deve passar por todas as fases descritas anteriormente. O relatório deve ser elaborado na ordem cronológica dos acontecimentos seguindo o mesmo roteiro, ou seja, uma vez escolhido, o projeto deve passar pelas fases já descritas (Reflexão e análise, Organização, Preparação, Realização, Avaliação, Realimentação).

Terminado o projeto, o mesmo deve ser devidamente registrado e arquivado para posteriores.

OS PROJETOS COMUNITÁRIOS

Estes projetos visam ajudar a comunidade, integrar o Clã no G.E. e o Escotismo na comunidade. Permitem que os jovens, dentro do Movimento Escoteiro, contribuam para o desenvolvimento da comunidade onde está o Clã, contribuindo para o desenvolvimento dos seus próprios membros. Estes projetos permitirão ao Clã conhecer a comunidade em que vive, compreendendo as responsabilidades como cidadãos. Realizando os projetos, os participantes assumirão suas responsabilidades atuando na comunidade, participando individualmente e coletivamente na melhoria da comunidade como membro ativo.

Estes projetos deverão seguir o roteiro descrito anteriormente.

O DESENVOLVIMENTO COMUNITÁRIO

Estes projetos visam a participação da comunidade nas diversas fases, ausentes de paternalismo, analisarão os problemas da comunidade, exigirão recursos humanos e materiais internos e externos. É necessária uma pesquisa junto à comunidade verificando suas necessidades. Definindo o objetivo, pode ser necessário envolver autoridades competentes, meios de divulgação (rádio, jornal, etc...), envolver recursos financeiros e ou materiais importantes. Nestes casos, o Clã atua como idealizador e coordenador do projeto perante às autoridades, à comunidade e todos os órgãos que deverão ser contatados para o bom andamento do projeto. Durante a realização das fases descritas anteriormente, será necessária a participação ativa da comunidade.

O PROJETO PROFISSIONAL

O objetivo deste projeto é de auxiliar o elemento juvenil em caso de indecisão sobre o rumo profissional a ser seguido, despertar vocações e oferecer um leque de opções. As informações procuradas poderão ser obtidas através de palestras, debates, visitas a fábricas, entrevistas com profissionais do ramo pesquisado. É de extrema importância que o material e o conhecimento adquirido nestas pesquisas sejam apresentados a todo o Clã para despertar interesses de seus membros. Por ser um projeto diferente, o relatório deve ser adaptado às necessidades, ou seja, todos os contatos anotados, relatórios de visitas anexados, afim de que outros possam, no futuro, vir a usar estes conhecimentos.

PROJETO DE INSÍGNIA DE B.P.

O projeto escolhido pelo candidato deve ser aprovado pela Comissão Administrativa do Clã, o qual deve verificar se o proposto respeitou os seguintes critérios:

a) A realização do projeto vai comprovar a real capacidade do Pioneiro (a).
b) O objetivo proposto vai ocupar convenientemente o tempo exigido (seis meses).
c) Se o projeto vai contribuir para o desenvolvimento do Pioneiro (a)
d) Se a criação e o planejamento do projeto são realmente de autoria do candidato.

O projeto deve ser elaborado seguindo o roteiro anteriormente descrito. O relatório deve seguir o POR e ser elaborado seguindo os tópicos descritos anteriormente.