|
|
História de Gales Medieval |
|
No final do século VI os Anglos e os Saxões da Bretanha do leste começaram a traçar planos para invadir as terras a oeste. A inabilidade dos povos independentes do oeste para unir-se contra esta ameaça deixou para o poderoso reino de Gwynedd a responsabilidade de agir como o centro cultural e político da resistência, posição que mantém até os dias de hoje. Os grupos mais fracos eram incapazes de conter o inimigo, e após a batalha de Dyrham, perto de Gloucester,
em 577, os bretões de Cornwall foram separados dos de Gales, que da
mesma forma foi separado dos celtas do norte, em Cumbria, depois da
batalha de Chester, em 616. Nesta época, a composição étnica de
Gales apesar de diversa, era diferente da do resto da Bretanha,
devido ao pequeno número de saxões, e sua coesão só era mantida
pela resistência ao invasor. Os galeses começaram a se
auto-denominar Cymry (companheiros da terra), enquanto os saxões os
chamavam de um termo que significava "estrangeiro" ou
"povo romanizado".Gales, como a Inglaterra da Idade Média, era uma terra de múltiplos reinos. Seu terreno acidentado, com maciços de montanhas impenetráveis e cordilheiras inóspitas interrompidas por vales profundos, não facilitava um controle e um desenvolvimento unificados. A fronteira com a Inglaterra não era marcada por defesas naturais, e as áreas baixas e produtivas, tanto quanto as pastagens das terras mais altas estavam abertas aos ataques frequentes dos saxões. Portanto, até a construção do "Dique de Offa de Mercia", na segunda metade do século VIII, construído para deter os ataques galeses e controlar o comércio de fronteira, não havia uma linha definida entre Gales e a Inglaterra. O "Dique de Offa" foi, no período medieval, a mais longa e extraordinária barreira construída pelo homem em toda a Europa ocidental, e representou um importante papel na formação e na identidade de Gales. Nesta época, Gales era formada por pequenas comunidades, cuja principal ocupação era guerrear com seus vizinhos, pelo saque e para a obtenção de novos territórios. Estes conflitos internos, aliados ao combate ao inimigo saxão, transformou os galeses em guerreiros extraordinários. A região era formada por quatro reinos principais: Gwynedd, localizado no maciço de Snowdonia, em Anglesey; Powys, que se estendia ao longo da fronteira com Mercia, na Gales central; Dyfed, no sudoeste, era o reino mais antigo, detentor de tradições celtas pré-romanas; e Deheubarth, um nome genérico para as terras do sul, que a partir do século XI toma forma como um reino bem definido, que acabou, inclusive, por absorver parte de Dyfed. A partir dos séculos XI e XII, sob a pressão dos ataques e dos colonos normandos, estes reinos tendem a absorver os principados menores, incapazes de resistir sozinhos ao invasor. No século IX, a ordem política que havia emergido entre os povos a oeste do Dique de Offa se desfez. A dinastia Dyfed-Deheubarth desapareceu em 814, a de Gwynedd em 825 e a de Powys em 855. Neste vácuo de poder surgiu uma novo poder, os Altos Reis de Gales. O primeiro deles, que dominou toda Gales, exceto Glywysing em 878, lutou contra os vikings e ingleses, e antes de cair no campo de batalha, estabeleceu um precedente e criou uma nova dinastia, baseada em Gwynedd, a qual passou a controlar toda Gales como seu patrimônio. Este rei chamava-se Rhodri Mawr, o único rei na história de Gales a ser chamado de "Grande". O segundo rei de Gales, Hywell Dda, chamado "O Bom", mudou a base da dinastia para Dyfed-Deheubarth e por volta de 950 governou toda Gales, exceto Morgannwg. Ele foi o grande codificador das leis galesas, que a partir de então levaram seu nome. Ele acreditava em unificar toda a Gales pela legislação única. Dos séculos IX ao XI, uma ameaçante nuvem baixou sobre Gales e também sobre o território saxão sob a forma dos Vikings - insaciáveis na sua sede de aventura, batalha e pilhagem. A costa da Inglaterra foi aterrorizada por estes guerreiros que saquearam não somente a costa mas também o interior, desmantelando comunidades inteiras. Algum sucesso foi conseguido contra os invasores por Rhodri Mawr (Rhodri, o Grande), governante de Gwynedd, que conquistou a vitória sobre os dinamarqueses em 856 mas foi exilado na Irlanda.É surpreendente, entretanto, que apesar de sua indubitável influência, à exceção dos nomes dos lugares (como em Bardsey, Fishguard, Milford, Skomer, Swansea), os vikings tenham deixado um legado pouco significativo no que diz respeito a construções e estruturas mais permanentes. Certamente, talvez os mais notáveis sinais sejam aqueles como o estilo de decoração usado nas grandes cruzes do século X e XI. A unidade estabelecida por Rhodri Mawr no século IX foi curta. Agravado pela intervenção anglo-saxônica e os ataques vikings, o país continuou politicamente fraco e dividido. De novo, apesar de que suas leis tenham sobrevivido a ele, a coesão trazida por Hywel Dda (Howell, o Grande), o neto de Rhodri Mawr, foi muito frágil para se estender além do reino no qual foi estabelecida. Um último governante poderoso que conseguiu trazer uma unidade antes da conquista normanda foi Gruffydd ap Llywelyn. Sua primeira tomada de poder foi em Gwynedd, em 1039. Ele tornou-se uma figura dominante em Gales, e durante seus últimos anos de vida (1055-63) teve todo o país sob seu controle; uma posição fincada no seu poder militar e no carisma pessoal. De novo, entretanto, sua queda e morte deixou um vácuo de autoridade e força. Dentro de uma década, Gales enfrentaria uma nova e real ameaça, mais poderosa que tudo que tinha enfrentado até então - os normandos. |
![]()