A Era dos Castelos

 

 

Os barões normandos responsáveis pela consquista de Gales eram um pequeno grupo de homens, raramente excedendo o número de vinte, que após a batalha de Hastings em 1066, e a conquista da Inglaterra, estavam muito ocupados com problemas de segurança interna e o com controle do território recém conquistado para darem atenção a Gales. Entretanto, sua função primária, a defesa da fronteira oeste, logo se transformou numa agressiva campanha de expansão. É evidente que esta campanha era motivada pela busca de novas terras e riquezas, mas não se pode negligenciar o fator cultural. A cultura normanda era baseada numa busca agressiva de poder pessoal, e numa ética guerreira. Foi esta "cultura militar" normanda que os instigou à conquista permanente, e que propiciou o desenvolvimento da mais eficiente máquina de guerra do período medieval: o castelo.

Não havia castelos em Gales antes de 1066. Entretanto, nos dois séculos seguintes, várias centenas foram construídos. A maioria destes castelos era evidentemente normanda. Os normandos eram um povo dotado de um raro gênio militar. Não foram os inventores da cavalaria, das bases fortificadas e do sistema feudal, mas foram os primeiros a combinar estes três elementos, e usá-los de forma sistemática numa campanha de conquista. Os primeiros castelos normandos em Gales foram os construídos pelas "famílias fronteiriças" e seus exemplos mais significativos são Caerphilly, Cardiff, Chepstow e Kidwelly. Além destes, havia vários outros castelos menores, construídos pelos tenentes dos senhores daquelas famílias e por barões normandos. Dentre os chefes destas famílias, destacava-se William Fitz-Osbern, que recebeu de Eduardo I amplos poderes sobre a porção sul da fronteira com Gales. Fitz-Osbern construiu uma formidável rede de castelos, assim como um exécito poderoso, a partir de sua base principal em Hereford. Sua maior obra foi o castelo de Chepstow, na embocadura do rio Wye. Chepstow acabou por tornar-se o ponto de partida da maioria das expedições normandas em Gales, e o principal centro da colonização normanda na região.

Na parte norte da fronteira, Hugh de Avranches, conde de Chester, e seu primo, Robert de Rhuddlan, estabeleceram-se a leste do rio Clwyd por volta de 1086. Nos quatro anos seguintes, eles capturaram o governante galês, Gruffydd ap Cynan, e fundaram castelos em Deganwy, Bangor, Caernarfon e Aberllen, na ilha de Anglesey. Estes castelos eram do tipo tradicional normando motte and bailey, e os locais de construção foram escolhidos por serem tradicionais centros de administração galeses. Após estes sucessos iniciais, o controle normando sobre o norte de Gales sofreu um retrocesso. Em 1094, Gruffydd ap Cynan recuperou sua liberdade, e com a ajuda de forças irlandesas expulsou os condes normandos. Os setenta anos seguintes foram marcados por uma relativa tranquilidade, quando Gruffyd e seu filho Owain Gwynedd implementaram diversas reformas aprendidas com os normandos, tornando mais eficiente o funcionamento do Estado e da Igreja. Encorajaram a fundação de novas ordens monásticas e construíram diversas igrejas de pedra. Mais importante, construíram diversos castelos do tipo motte and bailey, seguindo o padrão normando, com o objetivo de melhorar a administração e defender o território. Após a morte de Owain Gwynedd, em 1170, o sul de Gales, regido por Rhys ap Gruffyd do reino de Dyfed, tornou-se novamente dominante. Contudo, no final do século XII o reino de Gwynedd volta a ser o mais poderoso de Gales sob o governo de Llywelyn ap Iorwerth, coroado em 1200. Sob seu governo, o reino de Gwynedd readquiriu sua importância militar e política, sendo que Llywelyn chegou a enforcar um dos lordes das famílias fronteriças por excesso de intimidade com sua esposa, a filha do rei John da Inglaterra. Durante seu reinado, foram construídos os primeiros castelos de pedra galeses. Estes castelos tornaram-se cada vez mais sofisticados, principalmente após o ataque realizado por seu sogro, o rei John, em 1211. A maioria dos castelos mais importantes foram construídos entre 1220 e 1230, e seu desenho variava bastante, utilizando desde torres quadradas, mais simples, até as sofisticadas torres em forma de "D", que foram inclusive copiadas por seus inimigos normandos em alguns de seus melhores castelos.


Construção de um Castelo Medieval

Até hoje, séculos depois de sua construção, os castelos medievais ingleses demonstram sua majestade, seu poder, e a riqueza dos nobres que os construíram. Pelo fim do século XII os castelos de pedra tornaram-se mais elaborados, não só pelos avanços técnicos e pelas necessidades militares como também pela obsessão de certos nobres em construir fortalezas que refletissem seus sonhos de poder. Os castelos de Eduardo I foram construídos como avançadas máquinas militares, destinadas a assegurar seu domínio sobre o território conquistado, mas também serviam para reforçar seu status de soberano rico e poderoso. Todos os reis da dinastia Angevin, Henrique II, Ricardo I, John e Henrique III, gastaram milhares de libras em seus castelos, perseguindo uma reputação de homens de incomparável autoridade e prosperidade. Não deixa de ser surpreendente que a dinastia Angevin tenha gasto somas tão fabulosas nestas construções, já que seus recursos financeiros não eram, sabidamente, dos mais extraordinários. Na verdade, seus projetos só foram realizados por sua capacidade de convencer seus vassalos a financiá-los, com promessas de ampliação de territórios e pilhagem.

Construir um castelo do tipo Eduardiano era uma tarefa que exigia um alto nível de organização, demandando enormes quantidades de material, mão-de-obra, tempo e dinheiro. A pedra era extraída de um local o mais próximo possível do sítio de construção, mas tipos especiais de rocha, utilizados em funções decorativas, às vezes eram trazidos de locais distantes, encarecendo bastante o projeto. Além disso, embora a madeira tivesse um papel secundário na estrutura de um castelo (era usada geralmente como acabamento, no piso, teto e para a estrutura do telhado) , era gasta em grandes quantidades durante a construção, em andaimes, suportes, e como lenha, e sua extração e transporte era um componente significativo do orçamento. Outros materiais de alto custo incluíam o chumbo (para o telhado), ferro e estanho, que inicialmente eram extraídos de minas na Inglaterra, e posteriormente no próprio país de Gales.

Os muros do castelo eram construídos de forma que as paredes externa e interna fossem preenchidas com entulho, para diminuir os custos e facilitar a construção. As partes mais complexas do projeto eram as torres e as casas da guarda, com suas partes móveis de ferro e madeira. A primeira parte a ser construída era sempre a muralha principal do castelo, para propiciar um mínimo de defesa aos trabalhadores na eventualidade de algum ataque. A parte final eram os aposentos do senhor e sua família, que requeriam o uso de materiais mais nobres e um acabamento mais esmerado. Estes materiais incluíam tecidos, madeiras raras e no caso dos senhores mais ricos, materiais especiais como o vidro, usado nos aposentos senhoriais e nos vitrais de igrejas e capelas.
Geralmente, a construção de um castelo não terminava com a conclusão do projeto inicial. Como se tratava de uma estrutura militar de alto custo, a maioria dos castelos era aperfeiçoada com o tempo, e os castelos mais importantes modificavam-se bastante com o passar das décadas. Abaixo você poderá acompanhar a evolução da forma do castelo de Chepstow. Observe o aumento da complexidade e do número de muralhas e estruturas defensivas.
Conforme podemos observar pelas ilustrações no final do texto, as novas tecnologias eram incorporadas aos castelos com o passar dos anos, pois era bem mais barato atualizar um castelo já existente do que abandoná-lo e construir outro num local próximo.

Durante a construção, os custos com a mão-de-obra podiam tornar-se exorbitantes, pois havia necessidade de trabalhadores e artesãos altamente especializados na construção de um castelo de pedra. Especialistas eram convocados de todas as partes do reino, incluindo mestres pedreiros, mestres de cantaria, lenhadores, ferreiros, mineiros, escavadores, carpinteiros e marceneiros. Em algumas construções, havia mais de dois mil homens trabalhando, sob diversas formas de contrato. Uma carta de Mestre James de St George, o arquiteto de Eduardo I, nos fornece uma idéia precisa das dificuldades envolvidas na construção de um castelo O pagamento semanal destes trabalhadores variava desde quatro shillings para o especializado mestre pedreiro até a irrisória quantia de seis pence paga a mulheres que trabalhavam em funções como carregar água. James de St George ganhava dois shillings por dia, mais uma quantia devida por seu trabalho como guarda do castelo de Harlech. Pelos padrões atuais, estas quantias parecem mínimas, mas significavam um valor razoável na época, permitindo a Mestre James uma vida bastante confortável.


Em vista de tal complexidade, um castelo de pedra demandava um bom tempo para a sua construção. Para complicar, a maior parte do trabalho só podia ser feita entre abril e novembro, pois no resto do ano o frio e a neve impediam qualquer atividade. A média de construção era de três metros de altura por ano. O castelo de Henrique II em Oxford, por exemplo, levou oito anos para ser concluído, enquanto o sólido castelo de Dover requereu dez anos de trabalho. Em compensação, Mestre James costumava gastar somente cinco ou sete anos para construir seus castelos mais sofisticados, à exceção de Beuamaris, que nunca foi terminado, e Caernarfon, cuja construção demorou inacreditáveis quarenta e cinco anos.
Considerando-se todos os problemas acima mencionados, o clima, a grande quantidade de material necessária e a limitada disponibilidade de mão-de-obra especializada, dinheiro e os baixos salários pagos, é realmente surpreendente que tantos destes castelos tenham sido concluídos.

Mestre James de St Georges
James de St. George foi o responsável pela arquitetura por detrás do programa de construção de castelos no final do século 13, no período de Edward I. James, pouco conhecido mas nem por isso figura menos importante, foi o mestre pedreiro convocado do continente para a implementação dos planos do rei. Nascido por volta de 1230, ele trabalhou em muitos dos grandes castelos da Europa, inclusive na fortaleza de St. George d'Esperanche (na Sabóia, na fronteira entre a França, Suíça e Itália), de onde ele retirou seu nome completo.
Mestre James foi diretamente responsável por pelo menos 12 dos 17 castelos de Gales que Edward construiu, reconstruiu ou ajudou a reforçar. Seu primeiro trabalho foi o castelo de Rhudlan e o último, o de Beaumaris. Na época da construção deste último, ele tinha aprimorado as simétricas e concêntricas "paredes dentro das paredes" - característica dos castelos deste período.

Os custos de mão-de-obra eram enormes porque eram necessários trabalhadores hábeis na construção de castelos de pedra. Especialistas eram freqüentemente trazidos de diversas partes do reino para trabalhar nos castelos, incluindo: o mestre pedreiro, os homens que quebravam pedras, os cortadores de madeira, artesãos, mineiros, escavadores, carregadores e carpinteiros. Às vezes, 2000 homens eram contratados para um projeto particular. Para a construção do castelo galês de Beaumaris, mestre James explica em uma carta, datada de 27 de fevereiro de 1296, e enviada por James de St George ao Tesoureiro e aos Barões do Tesouro Real em Westminster, relatando o progresso da construção do castelo de Beaumaris e explicando para o tesoureiro real o que era necessário para a construção:

Aos mui caros lordes do tesouro e barões da tesouraria real do nosso lorde, o rei, James de St George e Walter de Winchester enviam saudações e a devida reverência.
Senhores,
Como nosso lorde, o rei, nos ordenou, pelas cartas da tesouraria, de vos dar um quadro claro de todos os aspectos do estado dos trabalhos em Beaumaris, para que que vós possais planejar o nível do trabalho para a próxima estação, da maneira como for melhor para vós, nós escrevemos para informar que o trabalho que nós estamos realizando é muito caro e nós necessitamos de uma grande quantia de dinheiro.
Vós deveis saber:
I. Que nós devemos sustentar pedreiros, cortadores de pedra, escavadores e trabalhadores menores durante todo o inverno, e ainda estamos empregando-os, para fazer argamassa e pulverizar pedra para fazer cal; nós temos tido carrinhos carregando esta pedra para o local e carregando tábuas para erigir os prédios nos quais nós estamos agora vivendo, dentro do castelo; nós também temos mil carpinteiros, ferreiros, caiadores (rebocadores) e marinheiros, além de uma força montada de dez homens, que recebem setenta shillings por semana, vinte arqueiros que ganham outros quarenta e sete shillings e dez ? e cem soldados de infantaria que custam mais seis libras, dois shiilings e seis ?.
II. Que quando esta carta foi escrita, nós estávamos com uma falta de quinhentas libras para ambos, os trabalhadores e os soldados. O pagamento dos homens tem estado, e ainda está, em atraso e nós estamos tendo grande dificuldade em mantê-los, pois eles não tem como viver.
III. Se o nosso lorde, o rei, quer que o trabalho seja terminado tão rápido quanto deveria ser no ritmo com que foi iniciado, nós não poderíamos fazê-lo com menos que duzentas e cinquenta libras por semana, por toda a estação; com isto, a estação poderia ver o trabalho bem avançado. Se, entretanto, vós sentis que não podemos ter todo este dinheiro, faça-nos saber, e nós vamos deixar os trabalhadores à sua disposição, de acordo com o que vós achais melhor para o melhor proveito de nosso lorde o rei.
Estamos enviando um relatório prévio ao rei para que ele saiba como anda o progresso do trabalho. Nós podemos dizer-vos que parte dele já alcança até vinte e oito pés de altura, e até onde ele é mais baixo, já está em vinte pés. Nós começamos dez das torres externas e quatro das internas, isto é, duas de cada uma das duas casas da guarda. Quatro portões foram instalados, e são fechados e trancados toda noite e cada saída deverá ter três portas levadiças. Vós também deveis saber que na maré alta um navio de quarenta toneladas totalmente carregado deverá ser capaz de alcançar diretamente o portão do castelo; assim nós devemos ser capazes de fazer, apesar dos galeses.
Se vós não conseguis imaginar aonde tanto dinheiro pode ser gasto em uma semana, nós podemos informá-lo que nós temos necessitado e vamos continuar a precisar de quatrocentos pedreiros, tanto cortadores quanto construtores, junto com dois mil trabalhadores menos experientes, cem carrinhos, sessenta vagões e trinta barcos trazendo pedras e carvão de praia; duzentos cortadores de pedra; trinta ferreiros, e carpinteiros para colocar as traves e os pisos e outros trabalhos necessários. Tudo isto sem levar em conta os soldados acima mencionados, nem a compra de material, do qual nós temos que ter muita quantidade.
De como vão as coisas nas terra de Gales, nós não podemos ter muita certeza. Mas com vós sabeis, os Galeses são os Galeses, e vós deveis conhecê-los bem; se Deus quiser, houver uma guerra entre a França e a Escócia, nós vamos precisar observá-los mais de perto.
Vós deveis estar certos, caros senhores, que é nosso dever satisfazê-los em tudo. Possa Deus, protegê-los.
PS. E, senhores, pelo amor de Deus, sejam rápidos com o dinheiro para os trabalhos, tanto quanto deseja o nosso lorde o rei; de outra forma, tudo o que foi feito até agora não será de nenhuma valia.
O rei, evidentemente, apreciou seu trabalho, e sabia que ele era um empregado insubstituível, por isso lhe pagava um soldo de 2 shillings por dia, a mesma quantia que um artesão comum ganhava em uma semana. Em 1284, seu soldo foi aumentado para 3 shillings por dia. Nos últimos anos, James trabalhou para Edward na Escócia, embora continuasse a viver em um condado senhorial a nordeste de Gales, oferecido pelo rei . Mestre James morreu por volta de 1308.
James de St Georges foi um homem muito à frente de seu tempo. Arquiteto e engenheiro excepcional, possuía uma rara capacidade de combinar a funcionalidade com a beleza. Seus castelos são obras-primas, tanto como estrutura arquitetônica quanto como máquinas militares, fruto de sua atenção aos mínimos detalhes e sua capacidade de inovar e improvisar. Como prova de sua eficiência, muitas de suas obras sobrevivem até hoje, tendo resistido não só aos inimigos, mas também à ação do tempo.
Existem dois tipos principais de castelos primitivos: os construídos sobre morros (motte) e os cercados por um anel protetor de terra e rochas (ringwork). Os castelos sobre morros geralmente eram protegidos por uma ou mais cercas (baileys) enquanto os do tipo ringwork usualmente possuíam uma única cerca.
Um motte era um monte pequeno e de encostas íngremes, quase sempre artificial, que suportava o principal ponto de defesa do castelo, no topo do qual se construía uma torre cercada por uma paliçada de madeira. Sua forma era geralmente circular, mas existiram mottes quadrados e retangulares, principalmente na Escócia. A altura dos mottes variava bastante, mas a maioria ficava abaixo dos cinco metros, embora alguns poucos exemplares construídos nos anos imediatamente posteriores à conquista normanda ultrapassassem esta marca em vários metros.
Uma cerca (bailey) podia variar tanto na forma como no tamanho, e um castelo podia possuir mais de uma, embora alguns mottes jamais tivessem possuído uma de qualquer tipo. A provável razão para esta ausência de ao menos uma cerca provavelmente reside no fato de que vários mottes foram construídos apenas como postos de observação temporários e não como pontos de ocupação permanente.

As vantagens de se construir um castelo sobre um monte são óbvias. A primeira consiste na excelente visibilidade proporcionada pelo ponto elevado, permitindo avistar o inimigo de uma grande distância, o que possibilitava preparar as defesas com uma certa antecedência, evitando ataques de surpresa. Além disso, a altura proporcionava uma vantagem tática aos defensores, pois além de dificultar a invasão do castelo, permitia uma defesa mais eficiente, através do arremesso dos mais diversos tipos de projéteis sobre os atacantes. Praticamente todos os castelos tipo motte era dotados de uma torre principal, construída sobre o ponto mais elevado, que era o último reduto dos defensores no caso da destruição das fortificações externas.

A necessidade de cercas adicionais era devido à pequena área disponível para a construção sobre o motte, que só suportava a torre principal. Qualquer construção adicional tinha de ser feita ao lado da base do motte, e ser protegida por sua própria cerca.
Este tipo de castelo foi utilizado tanto pelos galeses como pelos normandos. Apesar de suas fraquezas, a principal era a cerca de madeira, que podia ser facilmente incendiada, a construção sobre terreno elevado proporcionava uma vantagem considerável. Isto foi comprovado na prática em pelos menos duas situações conhecidas. Em 1075 o castelo normando de Flintshire (mostrado à esquerda) teve sua cerca externa incendiada durante um ataque galês chefiado por Gruffydd ap Cynan. A maioria dos defensores normandos morreu durante o incêndio, mas alguns conseguiram alcançar a torre principal, construída sobre o motte. O segundo caso registrado pela história é do ataque galês ao castelo de Llandovery, em Carmarthenshire, em 1116. Da mesma forma, apesar de os galeses terem conseguido incendiar e invadir a cerca externa, os poucos normandos que conseguiram escapar e se refugiar na torre principal foram capazes de inflingir tantas baixas nos atacantes que o ataque teve de ser suspenso e os galeses foram obrigados a bater em retirada.

Os castelos tipo ringwork variavam na forma, mas quase sempre eram trabalhos em terra circulares ou em forma de "D" e ao contrário dos castelos tipo motte, geralmente aproveitavam acidentes naturais como parte da estrutura. Eram constituídos por um pequeno platô de terra quase sempre cercado por um fosso, resultado da escavação realizada durante a construção do platô. Um castelo tipo ringwork possuía uma área bem maior que a de um castelo tipo motte, e como era construído sobre uma área relativamente plana, dispensava a construção de várias cercas. Um bom exemplo deste tipo de castelo é Kidwelly, em Carmarthenshire, mostrado à direita.

Em geral, um castelo tipo ringwork era mais rápido e barato de construir que outro do tipo motte-and-bailey, e este fator contribuiu para sua maior disseminação tanto em Gales quanto na Inglaterra. Quando os normandos decidiram estender o seu domínio sobre o território de Gales, no início do século XII, a maioria dos castelos que construíram era deste tipo. Exemplos deste tipo de castelo são Coity, Ogmore e Loughor em Glamorgan e Kidwelly, Llansteffan e Laugharne em Carmarthenshire. Este tipo de castelo era sem dúvida o preferido pelosnormandos, e conforme a história demonstrou, revelou-se bastante efetivo

Táticas de Sítio e Técnicas de Defesa
Até o final do século XV, a guerra era conduzida de forma passiva, estática. Na prática, a maior parte dos gastos militares era destinada à defesa, principalmente a um meio de defesa particular: a fortaleza. Durante toda a Idade Média, desenvolveu-se uma máquina de guerra que era tida como definitiva: o castelo. Suas paredes tornaram-se mais altas e sólidas, sua forma foi aperfeiçoada, através da introdução de melhorias técnicas diversas, tais como o uso de muralhas concêntricas, balestreiras, e outras. Fica claro o descompasso entre as técnicas de defesa e as de ataque quando vemos que quase todas as batalhas travadas na épocas culminavam na tática do sítio, e o objetivo do agressor resumia-se a romper as muralhas da fortificação inimiga. As técnicas para tanto pouco evoluíram até o advento do canhão, consistindo basicamente no solapamento das paredes da fortaleza, mas na prática, o que realmente contava era impedir a entrada ou a saída do
Engenhos de Guerra
Os cruzados que voltaram do Oriente trouxeram novas técnicas de batalha, as mais notáveis são as catapultas e o aríete, este último bastante representado nas iluminuras, mas pelo que se sabe foram raras as vezes em que foi utilizado.

As Catapultas
Estes engenhos de batalha são classificados em: engenhos à mola e engenhos a pêndulo. Os primeiros são catapultas de grandes proporções, impossíveis de se construir no local, utilizadas para arremessar balas de ferro, rochas e lanças incendiárias. Os segundos são catapultas menores, construídas no local por carpinteiros e utilizadas para arremessar pedras, substâncias incendiárias e até mesmo corpos em decomposição para espalhar epidemias.


O Aríete
Este engenho de guerra constitui uma de viga de madeira com cerca de dez metros de comprimento acionada por dezenas de homens com o objetivo de destruir muralhas.