O Códigos dos Cavaleiros

  

Seguem alguns códigos de cavaleiros conhecidos:

Vinte e seis promessas dos Cavaleiros Ingleses
(Quando de sua coroação e de seus deveres como cavaleiro e rei)
 As leis da Cavalaria
Código de Honra e Lealdade dos Guerreiros Saxões
Buchidó (Código dos samurais)

 As leis da Cavalaria

Nos conta BP:

"Nos dias de antanho...

Dos tempos fugazes

Quando os cavaleiros

Eram tão audazes..."

 

Deve Ter sido um belo espetáculo ver um desses Cavaleiros, cobertos de aço, a cavalgar pelo verde das florestas em sua reluzente armadura.

O escudo, a lança e as plumas ao vento...

Um forte e valente corcel para sustentar seu e cavalgar contra o inimigo...

Ao lado, cavalgando, seu Escudeiro, o jovem assistente e companheiro que algum dia iria tornar-se CAVALEIRO.

E protegendo-os um santo guerreiro: São Jorge, o nosso padroeiro!

E a noite, como nos, reunidos em torno do fogo, cantavam suas vitórias.

Seu espírito junta-se a nos através de seu Código de Honra: 

 

O Código dos Cavaleiros

 As leis da Cavalaria eram as seguintes:

 " Esteja sempre pronto, de armadura vestida, exceto enquanto estiver repousando...noite.

 Em tudo que estiver fazendo procure ganhar honra e fama pela honestidade.

 Defenda os pobres e os fracos.

 Ajude os que não puderem se defender sozinhos.

 Nada faça para ferir ou ofender os outros.

 Esteja preparado para lutar na defesa da sua Pátria.

 Trabalhe antes pela honra que pelo proveito.

 Não volte atrás na palavra dada.

 Defenda a honra de sua Pátria com a própria vida.

 Prefira morrer honestamente a viver vergonhosamente.

 A Cavalaria exige que cada um esteja preparado para executar as tarefas mais humildes e trabalhosas com alegria e boa vontade; e a fazer o bem ao próximo." 

 

 

(Quando de sua coroação e de seus deveres como cavaleiro e rei)              Carta do Bispo de Chartes a Guilherme V, Duque de Aquitânia

 

  “Aquele que jura fidelidade ao seu senhor deve ter sempre presente na memória seis palavras:

- são e salvo,

- seguro,

- honesto,

- útil,

- fácil,

- possível.

   São e salvo, para que não cause qualquer prejuízo, ao corpo do seu senhor. Seguro, para que não prejudique o seu senhor divulgando seus segredos ou dos castelos que garantam a sua segurança. Honesto, para que não prejudique os direitos de justiça do seu senhor ou outras prerrogativas que interessem à honra a que pode pretender. Útil, para que não cause prejuízo aos bens do seu senhor. Fácil e possível, para que não torne difícil ao seu senhor o bem que este poderia facilmente fazer, e para que não torne impossível o que teria sido possível ao seu senhor. É de justiça que o vassalo se abstenha de prejudicar o seu senhor. Mas não é assim que ele merece seu feudo, pois não basta abster-se de fazer mal, é preciso fazer bem. Importa portanto que, sob os seis aspectos que acabam de ser indicados, forneça fielmente ao seu senhor conselho e ajuda, se quiser parecer digno do seu benefício e realizar a fidelidade que jurou. O senhor deve igualmente, em todos estes domínios, fazer o mesmo àquele que lhe jurou fidelidade. Se não o fizer, será com razão acusado de má fé; tal como o vassalo que fosse visto faltar aos seus deveres, pela ação ou pôr simples consentimento, seria ele culpado de perfídia e de perjúrio.”

  

Vinte e seis promessas dos Cavaleiros Ingleses

 

1a.) Temer, reverenciar e servir a Deus religiosamente, combater pela fé e antes morrer que renunciar ao cristianismo.

2a.) Servir seu príncipe fielmente e combate pôr ele e pela pátria valorosamente.

3a.) Sustentar o direitos dos mais fracos, assim como os das viúvas, órfãos e donzelas, expondo-se pôr eles, conforme o exigissem as circunstâncias, contanto que não fosse nem contra a honra nem contra o rei.

4a.) Nunca ofenderiam maldosamente pessoa alguma, nem usurpariam os bens de ourem, antes combateriam contra aqueles que o fizessem.

5a.) A avareza, a recompensa, o lucro ou o proveito não os obrigariam a fazer fosse o que fosse, mas somente a glória e a virtude.

6a.) Combateriam pelo bem e proveito do interesse público.

7a.) Obedeceriam às ordens de seus generais e capitães.

8a.) Guardariam a honra, o lugar e o nome de seus companheiros e nada constrangeriam nem pôr orgulho nem por força.

9a.) Jamais combateriam, acompanhados, contra um só e haveriam de fugir de qualquer fraude ou logro.

10a.) Não levariam mais que uma espada, a menos que tivessem que lutar contra vários.

11a.) Em torneio, ou qualquer outro combate de diversão, nunca se serviriam da ponta da espada.

12a.) Feitos prisioneiros em torneios, ver-se-iam obrigados, por palavra e por honra, de executar ponto por ponto, as condições do ajuste.

13a.) Guardariam a palavra para com todos e especialmente para com  os companheiros.

14a.) Amar-se-iam, honrar-se-iam e prestar-se-iam socorro mutuamente entre companheiros e em qualquer ocasião.

15a.) Tendo feito voto de ir a alguma aventura arriscada,  jamais largariam as armas senão para o descanso da noite.

16a.) No prosseguimento da aventura, nunca evitariam as passagens difíceis e arriscadas, não se afastariam do reto caminho, com receio de encontrar cavaleiros poderosos ou qualquer outra dificuldade.

17a.) Jamais se poriam a serviço de um príncipe estrangeiro.

18a.) Viveriam dentro da maior ordem e disciplina e não tolerariam afronta nenhuma contra seu país.

19a.) Estando obrigados a conduzir dama ou donzela, prestar-lhe-ia serviços protegendo-a de todo perigo ou afronta.

20a.) Jamais teriam maus tratos contra uma dama ou donzela, embora presas de guerra.

21a.) Procurados em duelo jamais o recusariam.

22a.) Tendo prometido grande empresa, a ela dedicariam dias e anos, se não tivessem sido chamados para o serviço do rei ou da pátria.

23a.)Havendo jurado de alcançar determinada honra, não descansariam enquanto a não tivessem conseguido.

24a.) Seriam fiéis observadores da palavra dada e, vendo-se prisioneiros em justa guerra, pagariam exatamente o resgate prometido.

25a.) De volta para a corte de seu soberano, dariam minucioso relato de suas aventuras embora, por vezes, lhes fossem desvantajosas, sob pena de serem excluídos da ordem da Cavalaria.

26a.) Seriam corteses e humildes para com todos e nunca faltariam à palavra, acontecesse o que acontecesse.

  

Código de Honra e Lealdade dos Guerreiros Saxões

 

            A mente será mais poderosa, a masculinidade mais valente,

           O espírito mais forte, mesmo quando o sangue da vida se esvai.

            Aqui jaz nosso lider, ferido a golpes de machado;

            O bom homem foi derrubado. Vai se arrepender para sempre

             Quem pensar em fugir deste campo de batalha.

            Embora com muitos anos, não abandonarei

            Um homem tão amado: oferecerei minha vida

            Na luta, ao lado do corpo do meu senhor.

           

O Bushido

    O Bushido, que pode ser literalmente traduzido como "Caminho do Guerreiro", surgiu no Japão entre as Eras Heian e Tokugawa (séculos IX - XII). Ele foi um código de ética e um meio de vida para os samurai, uma classe de guerreiros similar aos cavaleiros medievais da Europa. O Bushido dava ênfase à lealdade, auto sacrifício, justiça, bom senso, modos refinados, pureza, modéstia, sobriedade, espírito marcial, honra e afeição.

Origens e influências

    O Bushido foi influenciado pelo Budismo Zen, Shintoísmo e Confucionismo. A combinação dessas escolas filosóficas formou o código de ética dos samurai.

    Do Budismo, o Bushido recebeu sua relação com o perigo e com a morte. O samurai não temia a morte porque ele acreditava no que o Budismo ensinava, que depois da morte haveria a reencarnação e ele poderia viver outra vida na Terra novamente. Através do Zen, uma escola do Budismo, pode-se alcançar o "Absoluto". A meditação Zen permite alcançar um nível espiritual que não pode ser descrito através de palavras. O Zen ensina o auto-conhecimento e a não se limitar a si próprio. Um samurai usava isto como uma ferramenta para controlar o seu medo, instabilidade e erros. Estas coisas poderiam levá-lo à morte.

    O Shintoísmo, outra doutrina japonesa, deu ao Bushido sua lealdade e o patriotismo. O Shintoísmo incluía a adoração aos ancestrais, a qual fazia a família imperial o centro de toda nação. Isso conferia ao Imperador uma reverência divina. Ele era a personificação do Céu na Terra. Com a mesma lealdade, os samurai comprometiam-se para com o Imperador e seus Daimyo ou Senhores Feudais, o mais alto posto samurai. O Shintoísmo também foi a espinha dorsal do patriotismo da sua nação. Eles acreditavam que a terra não estava lá meramente para atender suas necessidades, "ela era a residência sagrada para os deuses, os espíritos de seus antepassados..." A terra era cuidada, protegida e criada através de um intenso patriotismo.

    O Confucionismo deu ao Bushido sua crença no relacionamento com a humanidade, seu meio-ambiente e sua família. A ênfase do Confucionismo em cinco relacionamentos morais: entre senhor e empregado, pai e filho, marido e mulher, irmão mais velho e mais novo, e entre amigo e amigo, era o que os samurai seguiam. Entretanto, os samurai discordavam fortemente de muitos dos ensinamentos de Confúcio. Eles acreditavam que o homem não deveriam sentar e ler livros todos os dias, nem escrever poemas todos os dias, o que para um intelectual era considerado como uma máquina. Em vez disso o Bushido acreditava que o homem e o universo foram feitos para serem semelhantes tanto no espírito quanto na ética.

    Junto com estas virtudes, o Bushido também compreendia justiça, benevolência, amor, sinceridade, honestidade, autocontrole e o máximo respeito. Justiça é um dos principais fatores do código dos samurai. Atos desonestos e injustiças eram considerados baixos e desumanos. Amor e benevolência eram virtudes supremas e atos nobres. Os samurai seguiam umaetiqueta específica no seu dia-a-dia tanto quanto na guerra. Sinceridade e honestidade eram tão valiosos quanto as suas vidas. "Bushi no ichi gon", ou "a palavra de um samurai" transcendia o pacto de lealdade e confiança. Como em tais pactos não existiam necessidade de uma garantia por escrito, eram considerados inferiores a dignidade. O samurai também necessitava de autocontrole e estoicismo (rigidez moral ou impassibilidade em face da dor ou infortúnio) para ser completamente honrado. Ele não apresentava sinais de dor ou alegria. Ele suportava tudo sem lamentos, sem lágrimas. Ele mantinha a tranquilidade de conduta e compostura de uma mente inabalável, a qual não deveria ser perturbada por paixões de qualquer tipo. Ele foi um verdadeiro e completo guerreiro.

    Ainda que simples, o Bushido criou um modo de vida que alimentou uma nação através da maioria de seus tempos problemáticos, através de guerras civis, desespero e incertezas.

O Samurai e o seu relacionamento com o Bushido

    No Japão a classe de guerreiros era conhecida como samurai, também chamados de bushi (daí o nome Bushido). Eles formaram uma classe durante os séculos IX à XII. Eles emergiram de províncias do Japão para tornarem-se a classe dominante até o seu declínio seguido da total abolição em 1876 durante a Era Meiji.

    Os samurai eram guerreiros, habilidosos em artes marciais. O samurai tinha amplas habilidades no seu uso do arco e flecha e da espada. Os samurai também eram grandes cavaleiros.

    Esses guerreiros eram homens que viveram através do Bushido; ele era o seu meio de vida. A lealdade do samurai ao Imperador e a seu lorde (ou Daimyo) era insuperável. Eles eram leais e honestos. Eles viveram modestamente, sem interesse em riquezas materiais, mas sim em honra e orgulho. Eles foram homens de verdadeiro valor. O samurai não tinha medo da morte. Ele poderia entrar em qualquer batalha, não importando as desigualdades. Morrer em batalha iria somente levar honra à sua família e ao seu lorde.

    Os samurai geralmente preferiam lutar sozinhos, um a um. Em batalha, um samurai poderia por em risco o nome de sua família, seu posto, e seus méritos. Por isso, ele procurava um oponente com um posto similar e travava a batalha. Quando um samurai era morto, seu oponente o decapitava. Após a batalha, ele trazia a cabeça de seus inimigos como prova de sua vitória. Cabeças de generais e daqueles de altos postos eram trazidos para a capital e mostrados para os oficiais. A única saída para um samurai derrotado era a morte pelo suicídio ritual: o seppuku.

    O seppuku também era conhecido como harakiri, ou "cortar o ventre", é quando o samurai apunhala uma faca no seu próprio abdômen e literalmente "se esquarteja". Após se apunhalar, outro samurai, geralmente um parente ou amigo, corta sua cabeça. Essa forma de suicídio era executada sob várias circunstâncias: para evitar a captura em batalha, a qual o samurai não acreditava ser desonrosa, mas geralmente mal politicamente; para pagar por um crime ou ato indigno; e talvez o mais interessante, para agradar seu lorde. Um samurai preferia suicidar-se do que levar vergonha e desgraça ao nome da sua família ou ao seu lorde. Isto era considerado um ato de verdadeira honra.

    Os samurai tornaram-se a classe dominante durante os séculos XV e XVI. No século XVII houve um tempo de unificação, cessando as guerras no Japão. Então perto do final da Era Tokugawa, no final do século XVIII o Japão começou a caminhar em direção à modernização a ao modo de vida Ocidental. Não necessitava mais de lutadores, de guerreiros, de samurai. Os samurai e o seu modo de vida foram oficialmente abolidos no começo de 1870, mas não esquecidos.