PLANTIO E PODA DE VEGETAIS

 

Uma prática interessante para ser desenvolvida em atividades Escoteiras é a Cirurgia Vegetal, que não só treina o Escoteiro no emprego de ferramentas e trabalhos com cabos, mas também lhes desperta o interesse pelo cuidado com a Natureza e os introduz a uma série de curiosos conhecimentos.

 

PODA

 

Em princípio, árvore alguma precisa de poda. Quanto mais livremente pode se desenvolver, mais sã e mais bela será. Em árvores frutíferas, no entanto, com o fim de mantê-las dentro de um certo tamanho, que facilite a colheita, em alguns casos também para facilitar e uniformizar a frutificação, faz-se muitas vezes podas sistemáticas, segundo método bem definido, que tomam em conta vários fatores, que não vale a pena mencionar aqui. Estas podas são, porém, feitas quase que exclusivamente com a tesoura de podar, cortando-se galhos relativamente finos. Em raros casos cortando-se galhos maiores, mas com medidas especiais de proteção. No entanto, o trabalho deve ser feito de acordo com um esquema bem definido, começando-se pela árvore ainda jovem. Em árvore ainda pequena, começa-se com tesoura de poda, raríssimas vezes com serrote, a cortar pontas de galhos para obrigar a nova brotação e tomar certos caminhos. Estes cortes, executados em madeira fina, cicatrizam facilmente, não criando ulteriores problemas às arvores. A árvore se manterá sã e durará quase que indefinidamente. Em casos especiais, para corrigir erros anteriores, pode-se retirar galhos ou troncos secundários de árvores já velhas, sem prejudicá-las. Mas este corte deve respeitar certas normas que lhe devem à maneira do crescimento e possível regeneração de uma árvore.

 

CIRURGIA VEGETAL

 

O crescimento de um tronco ou galho produz-se todo na região entre a casca e madeira, no lugar onde a casca pode desprender-se da madeira.

O câmbio é um tecido especial que produz madeira para o lado interno e casca para fora. A casca cresce, portanto, de dentro para fora e a madeira de fora para dentro. Numa árvore viva e sã, a madeira é em si um tecido morto, que só pode continuar em sua função de transportar seiva bruta da raiz à coroa enquanto estiver protegida pelas partes vivas da planta. A casca evita toda entrada de agentes decompositores da madeira: bactérias, fungos, protozoários, insetos e outros artrópodes. Mas quando cortamos um galho grosso, ou tronco, expomos certas partes da madeira diretamente a intempérie. Isto é pior ainda se o corte for mal feito, produzindo-se lascas e fraturas. A madeira desprotegida começa a decompor-se lentamente, como quaisquer pedaços de madeira deixada ao ar livre. A parte podre com o tempo, penetra tronco adentro, matando-se ou deixando-a oca. A parte oca  se estenderá até matar a árvore toda. O címbio é totalmente indefeso contra a podridão que vem de dentro, do interior da madeira.

 

PREVENÇÃO

 

Para evitar que isso suceda, quando for necessário retirar um tronco secundário ou galho grosso, corte esse que deve ser feito com serrote, evitando cascas e fraturas, deve-se, em primeiro lugar, evitar deixar tocos. O toco quase sempre morre até o entroncamento com o galho mais forte, e assim, evita uma futura cicatrização. Depois de desaparecido o toco pela podridão, aparece em seu lugar uma cavidade no tronco maior, cavidade esta que continuará aumentando, O galho ou tronco retirado deve portanto ser cortado bem junto ao entroncamento. O corte deve ser mais liso possível, e a superfície redonda ou ovalada, e o corte deve estar rodeado de câmbio são. Imediatamente deve-se proteger esta ferida com alguma pintura protetora, em geral cera especial para este fim.

Um formula muito útil e fácil é uma mistura, de cera ou parafina, ou graxa animal de gado ou ovelha, com breu ou óleo vegetal. Tomam-se partes iguais de graxa ou cera e acrescenta-se a quantidade necessária de óleo vegetal para que a pasta, quando fria, tenha a consistência de manteiga, podendo ser aplicada com pincel, duro, a frio. As cascas de produtos fitossanitários produzem diferentes tipos de pinturas, para este fim, algumas com hormônios de crescimento que promovem a cicatrização rápida.

 

IMPORTÂNCIA

 

Uma ferida de corte assim tratada, permite uma cicatrização pelas bordas a partir do câmbio. Aos poucos, um anel de tecido cicatrizante vai se concentrando sobre a superfície do corte, até fechar-se hermeticamente. Quanto mais grosso o galho cortado, mais tempo levará o processo de cicatrização. Pode levar vários anos. Portanto, é muito importante que a pintura seja repetida cada vez que se tenha deteriorado, até o fechamento completo da cicatriz. Uma vez cicatrizado o corte, a árvore está sã como antes. O tronco continuará a desenvolver-se normalmente; não há infecção possível.

Se quisermos, daqui por diante salvar alguma de nossas árvores, já bastante enfraquecidas ou doentes, temos que fazer uma limpeza em todas.

Esta limpeza consistirá em retirar todos os tocos e galhos já mortos, cortando-os bem rentes ao tronco maior, bem no entroncamento. Depois de retirado o galho morto, trata-se a superfície do corte.

 

RECUPERAÇÃO

 

Os tocos parcialmente mortos, mas com boa brotação em sua parte inferior, corta-se a parte morta bem rente a um broto bom. De preferência faz-se um corte oblíquo de modo que o broto fique na ponta. Também se trata a madeira exposta com a pintura protetora. O crescimento do novo broto continuará para uma boa cicatrização. Todos os buracos devido a podridão ou acidentes devem também ser protegidos para evitar o avanço da podridão. Em aberturas mais ou menos grandes a parte protetora naturalmente não funciona.

Nestes casos, enche-se todo o buraco com cimento.

Se for muito grande, pode-se usar pedras e tijolos dentro do cimento.

Para isso, faz-se uma limpeza na cavidade, retirando toda a madeira podre, especialmente nas bordas onde se corta até expor o câmbio vivo. A obturação com cimento deve ser feita até junto ao câmbio, de modo que este, ao formar a cicatriz, possa cobrir o cimento avançando sobre ele. Em alguns casos, a árvore chega a recobrir completamente esta obturação. Para maior proteção, já que o cimento é poroso, e deixa penetrar umidade, cobre-se a parte externa do cimento com a mesma pasta. Chega-se assim, muitas vezes, a recuperar árvores velhas e maltratadas, transformando-as novamente em algo que tenha certa beleza, ou pelo menos, formas bizarras, porém, sem o aspecto da morte iminente.

 

  MATERIAL RETIRADO DO GUIA SÊNIOR – UNIÃO DOS ESCOTEIROS DO BRASIL