Montanhismo

    MONTANHISMO PARA PRINCIPIANTES
    Uma pequena introdução aos modernos esportes de montanha.

   Porque escalar montanhas? "Porque elas estão lá", já é uma resposta satisfatória, pois é ao mesmo tempo simples, profunda
e óbvia. Essa foi a réplica dada por George L. Mallory (alpinista britânico desaparecido no Everest acima dos 8.500m em 1.924)
a um jornalista britânico que lhe fez a mesma inoportuna
pergunta deste início de parágrafo. Porém prefere-se aqui respondê-la com outros questionamentos como por exemplo: Por que correr atrás de uma bola? Por que dar voltas e voltas em um automóvel num circuito fechado? Por que vestir um par de luvas e esmurrar alguém que não é seu inimigo?

    Andar, correr, saltar, nadar e escalar são atividades (necessidades) naturais e inerentes à condição animal do ser humano, quanto as outras acima questionadas não podemos
dizer o mesmo. Sob esse aspecto escalar é somente assumir a tridimensionalidade do mundo.

O Esporte e o Lazer nas Montanhas

    Montanhismo latu sensu é toda atividade praticada pelo homem na montanha, seja ela recreativa, esportiva ou simplesmente contemplativa. Assim , considera-se montanhismo desde uma simples caminhada ao morro do sítio no final de semana até uma perigosa escalada mista em alta montanha
(aquela que alterna trechos de gelo com rocha decomposta).
Mais atenção, para que a atividade praticada em montanha seja considerada Montanhismo deve-se observar o intuito do praticante, se ele visar apenas a Montanha em si mesma ou o simples prazer de estar lá, será ele um montanhista, porém se o seu interesse for, por exemplo, científico, comercial ou militar será ele então um cientista comerciante ou militar.

    Dizem os historiadores que a primeira vez que o Montanhismo foi praticado no Brasil foi em 1879, quando Joaquim (ou José) Olímpio de Miranda e seus companheiros conquistaram o Olimpo, ponto culminante do Conjunto Marumbi. De lá para cá a coisa evoluiu e diversificou-se muito. Hoje são vários os esportes de Montanha entre eles: Montanhismo de Altitude, a escalada esportiva, a escalada de grandes paredes ou big wall, a escalada tradicional, o boulderismo ou bouldering ,o trekking ou caminhadas de montanha além de outros esportes praticados em montanha como o esqui de montanha, o para-alpinismo e o mountain bike, base jump, etc.

Alpinismo e Montanhismo em altitudes

    O montanhismo em altitudes é aquele praticado em altitudes superiores aos 4.000m quase sempre com presença de gelo e neve. Acima desta altitude o ar torna-se muito rarefeito diminuindo o desempenho físico e mental do homem. A alta montanha é um verdadeiro laboratório ao ar livre, pois é lá que são testados e desenvolvidos novos tecidos e materiais, isolantes, transpirantes e impermeáveis ; tudo isto ao mesmo tempo. Além de novos medicamentos para tratar as doenças causadas pela hipóxia e hipobaria e as gangrenas por congelamento. Em países com altas montanhas a medicina de montanha tornou-se uma especialização nas faculdades. Ao lado da escalada tradicional e de big wall, o alpinismo de alta montanha é a atividade de montanha mais exigente para o corpo e o espírito humano.

Escalada em Rocha   (técnica)

    A escalada esportiva é a escalada de pequenas falésias(até 50m) ou paredes artificiais , essa atividade também leva o corpo humano aos seu limite físico . Embora a escalada esportiva não ofereça risco de vida ao seu praticante, pois são fixadas proteções de 2m. em 2m. ela visa itinerários de máxima dificuldade com pontos de apoios muito pequenos (de até 4 mm.) e muito distantes um dos outros além de obstáculos como tetos e negativos. As proteções não podem ser usadas como pontos de apoio. Tendinites nos dedos e inflamações dos músculos do antebraço são muito comuns entre escaladores esportivos.

Boulder

    O "Bouldering" ou "Boulderismo" ou ainda "escalada de blocos" é uma sub-modalidade da escalada esportiva, possui as mesmas características acima descritas para escalada esportiva, porém é praticada em pequenos blocos de rocha com alturas variando de 3 a 8m em média e por isso dispensa o uso de cordas e demais equipamentos de segurança. Está, sem dúvida, entre as mais prazerosas e descomprometidas das variações sobre o tema montanhismo.

    A escalada tradicional e a escalada de big wall ou grandes paredes são atividades irmãs, complementares. São modalidades que exigem alto grau de comprometimento do praticante, pois além de levar o corpo ao seu limite , ela leva sobretudo a mente e o espírito ao limite; isto por requerer uma adaptação do homem e de sua técnica ao ambiente vertical.

    Neste tipo de escalada o menos é mais, quer dizer, quanto menor o dispêndio de recursos artificiais e de segurança, maior será o nível da escalada; mas isso tem seu preço, pois muitas vezes a segurança é apenas subjetiva ,na verdade é muito comum em escalada tradicional trechos onde absolutamente não se pode cair.

Big Wall's

    Já na escalada de big wall há o predomínio de uma técnica chamada de artificial móvel, que nada mais é do que a progressão por meio de equipamentos metálicos das mais diversas formas e funções, destinados basicamente para serem entalados nas fendas, reentrâncias e saliências da rocha em tramos onde ainda não é possível a escalada livre, isto é, usando apenas os pés mãos e sobretudo a cabeça. Nesta modalidade é empregada uma tecnologia limpa, simples, mas muito engenhosa. Limpa porque causa muito pouco impacto na rocha, as vezes deixa sequer vestígios, pois quase todo o equipamento deixado pelo guia é retirado pelo segundo.

    Por fim deve-se dizer que essas modalidades rapidamente descritas não são estanques mas complementares e na verdade há uma tendência moderna de unir todas elas numa escalada realmente completa como por exemplo uma escalada técnica em alta montanha com trechos de dificuldades de escalada esportiva e com proteção de escalada tradicional.

    Se você quiser aprender montanhismo aconselha-se procurar um curso com um guia idôneo e reconhecido por seus pares e dar mais importância ao critério qualidade do que ao preço.

                                                          Domingos Gomes Alvarez
                                                              Montanhista e Guia

 

                                  

 

 

 

 

 

 

 

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Rappel : uma manobra perigosa !

       Talvez por não exigir a técnica de escalada por meios naturais como agarras e fissuras, o rappel parece ser a maneira mais fácil de se pendurar em uma parede deslizando para baixo e se deliciando com o vazio, mas esta manobra pode ser considerada uma das mais perigosas do alpinismo. Partindo de algum descuido ou alguma falha no equipamento, provavelmente o caminho até o solo seja curto e rápido causando acidentes de proporções incalculáveis e muitas vezes prejudicando a vida de uma pessoa para sempre. Este artigo não tem a intenção de assustar ou afastar ninguém desta deliciosa aventura, mas tentaremos com alguns tópicos sugerir cuidados e técnicas para que sempre possamos usá-lo seguramente.


Equipamento Pessoal:
(cadeirinha, alto, freios (atc, oito, stop, etc), mosquetões com roscas, luvas e capacete)

- verifique nós, fivelas e todo o equipamento antes de iniciar o rappel, certifique-se que tudo está funcionando corretamente.

- verifique sempre o estado do equipamento antes de começar uma escalada ou rappel. Olhe as costuras, verifique se existem partes ressecadas e se o tamanho está de acordo com o seu corpo.

- deve-se ter muita atenção para que nada venha a cair, principalmente os mosquetões e os freios, muito cuidado ao segurá-los sem que eles estejam presos a outros equipamentos.

- use capacete



Corda: (cordão umbilical da vida)

- da mesma forma que os outros equipamentos, é preciso verificar a corda antes de pensar em começar o rappel, ela não pode ter malhos (pequenos estragos em seu corpo), não deve ser velha, e deve possuir as especificações do fabricante corretas para este uso como: peso, espessura e elasticidade.

- o tamanho deve ser medido para que chegue ao chão única ou com as duas pontas juntas, existem duas maneiras para facilitar isto:

       * passo 1: marcar com um esparadrapo (por exemplo) o meio da corda. Isso deve ser feito em casa ou na base, é claro.

       * passo 2: ao passar a corda no grampo, segura-se as duas pontas para começar a partir delas e depois lançá-la, isso fará com que as duas partes sejam de igual comprimento.



Pontos fixos:
(grampos, chapeletas, árvores, etc)

- deve-se ter muito cuidado com a escolha de um ponto fixo.

- no caso de grampos ou chapeletas observe o estado de vida deles (oxidação), a maneira que eles foram colocados e saiba que muitas vezes você não estava presente quando isso aconteceu, por isso desconfie sempre de sua segurança, isso pode ser o mais coerente.

- as árvores e outros pontos também exigem uma análise aprofundada sobre a sua segurança e proteção.

- nunca passe a corda direto em uma chapeleta ou árvore, use fitas e cordeletes. Procure utilizar o máximo de equipamento possível para a sua maior segurança.

- também é necessário adquirir conhecimento sobre equalização de pesos.



Características do local:

- observe a existências de quinas, arestas ou cantos vivos, elas podem facilmente cortar uma corda ao meio.

- pedras soltas podem ferir um companheiro mais a baixo ou até mesmo causar o rompimento de um corda.

- o ângulo da parede irá ditar o peso da corda em suas mãos, quanto maior o ângulo negativo, maior será o peso na mão de controle do rappel.

 

Posicionamento do corpo:

- procure encontrar uma postura ereta, com os pernas esticadas formando uma ângulo de 90º com a parte superior do corpo.

- utilize corretamente a mão de controle sem precisar usar a outra para travar a corda.



Cuidados importantes:

- jamais solte as duas mãos.

- cuide com o cabelo, camisetas e coisas soltas para não entrar para dentro do freio (oito, atc, etc), isto é comum e perigoso.

- finalizado o rappel, cuide para a corda não prender ao puxá-la para baixo.

- uma pessoa pode travar ou controlar a descida de alguém por baixo segurando a corda como se fosse a mão de controle.

- ultilize um nó Marchard ou Prussik logo acima do freio, ele poderá lhe ajudar e proteger em qualquer emergência.

- não esqueça !!! O LIXO está sedento de fome por equipamentos e cordas velhas, não economize, sua vida é muito preciosa !!!

 


 

 


 

 


 


Volta do Fiel
(para ancoragens)

Nó de Talingar

Nó de Pescador
(para juntar pontas)

Nó de Azelha

UIAA
nó deslizante, de atrito, para ser usado com mosquetão (sempre de rosca)

Prussik
(ascenção)

Prussik


Nó de Cote Duplo

Nó de Cote

Nó de Balsa

Nó Direito

Nó de Catau

Nó de Meia Volta

Nó Corredio

Nó de Voltas

Nó de Escota Duplo

No de Escota Simples

Nó de Porco Simples


Nó de Voltas


Nó para fita de auto

Oito duplo
(Nó para o bauldrier )

       Mosquetão - o melhor amigo do escalador

       Nesta matéria iremos mostrar um pouco da história e características de um dos maiores amigos do escalador, o mosquetão ! Também iremos comentar, porém de forma rápida, sobre uma das melhores amigas do nosso amigo mosquetão, a fita tubular ! Existe muito o que aprender sobre os usos e os cuidados destas duas ferramentas vitais, aqui mostraremos conselhos e princípios básicos para o uso deles, mas alertamos que todo o conhecimento é pouco para este assunto tão importante chamado: segurança !!!

O mosquetão: sua história e fabricação.

       O mosquetão foi inventado pelos bombeiros de Munich (Alemanha), eles já o usavam em 1860, mas acredita-se que foi o alemão Otto Herzog (um dos grandes escaladores dos anos 20) o primeiro a usá-lo no alpinismo. Os primeiros modelos foram feitos de aço e ferro, eram  pesados e muitas vezes devido a isto, o escalador era obrigado a escalar com poucas peças, fazendo assim aumentar o risco.
       A algumas décadas atrás o francês Pierre Allain desenvolveu o primeiro modelo constituído de duralumínio, um material leve e resistente. O duralumínio é uma liga de alumínio com cobre, zinco e magnésio, alguns fabricantes utilizam o potente alumínio 7075, conhecido como Zicral. O processo de fabricação de um mosquetão passa por tratamentos térmicos, polimentos e anodização, que é o coloração do material (Fig.3). A busca atual dos fabricantes, tem sido conseguir a melhor relação leveza/resistência, chegou-se a fabricar mosquetões do 40 gr, mas a UIAA (órgão competente no assunto de segurança em escalada) deixou de normalizar a sua fabricação devido a estragos proporcionados em algumas situações, mesmo assim, hoje em dia, é possível um escalador pendurar mais de 40 mosquetões em sua cadeirinha ou rack e escalar sem muitas dificuldades, muito diferente da época do ferro e do aço.

Tipos de mosquetões:

- simples: mosquetão com formato oval (Fig.1) ou geométrico (Fig.2), é o modelo mais comum  para todos os usos.
- curvos: possuem a sua trava (gatilho) curvo para dentro facilitando a colocação da corda (Fig.4 e 5).
- de rosca: possui um sistema de rosca na trava impedindo a sua abertura, é uma importante peça nas paradas, seguranças e auto/pessoal (Fig. 7, 8 e 9).
- trava automática: o seu sistema de trava é constituído de pequenas molas, sua abertura é manual porém o seu fechamento é automático.
- de aço: o modelo mais antigo de mosquetão, as vezes utilizado na espeleologia (cavernas) (Fig.6).


Simbologia dos mosquetões:

CE/96 0124 - Marca CE (homologação oficial dentro das normas da Comunidade Européia), ano de fabricação e número de controle.

24 KN.
- Força em quilonewton que o mosquetão agüenta em sentido longitudinal com a trava fechada.

7 KN - Força em quilonewton que o mosquetão agüenta em sentido transversal com a trava fechada.

10 KN - Força longitudinal em quilonewton que o mosquetão agüenta com a trava aberta.

Kgf - quilogramas força

daN - decanewton

Marca/Modelo - ex: KONG BONAITI - ITALY

 

Fita tubular:

       A fita foi criada e utilizada primeiramente nos EUA, antes disso era muito comum passar o mosquetão direto no grampo e a corda direto no mosquetão, então a partir dos anos 70 começou-se a usar a fita para ligar o mosquetão ao grampo. Fabricadas de poliamida, um plástico procedente de derivados do carbono que possuem uma grande resistência a forças opostas, suas medidas mais comuns vão de 12 à 25 mm e sua resistência oscila de 700 a 1.800 quilos. Hoje em dia é comum o uso de fitas expressas (Fig.10), elas unem um mosquetão a outro em cada extremo e tem em média 40 cm de comprimento, agüentando forças de até 2000kg. O outro modelo é a fita simples, que liga o mosquetão a proteção fixa (grampo). A fita expressa possui um costura especial unindo as suas duas argolas e a fita simples é unida através de um nó específico (Fig.C), nós simples podem se desfazer facilmente. Também deve-se ter muito cuidado com a sobra de fita após o nó (fig.11) .

O que devemos saber sobre os mosquetões e as fitas:

-> atrito:
<- Errado (Fig.A)  <- correto (Fig.B)

-> existe um importante conhecimento na hora de se proteger uma via. Devido as proteções nem sempre estarem em uma linha reta (Fig.A), é importante utilizar costuras de tamanhos variados para tentar deixar a corda correr em uma linha reta, causando o menos atrito na corda e facilitando a escalada (Fig.B).

- lubrificação: é sempre bom lubrificar todas as partes que se movimentam no mosquetão para o seu melhor funcionamento.

- Quedas e condenação: nunca deixe um mosquetão cair ou se chocar com outro material sólido, o seu impacto pode causar rachaduras microscópicas e com isso um rompimento da peça em uma hora bastante indesejada, nunca devemos esquecer que se trata de um material temperado. Um grande queda sem dúvida alguma é motivo de condenação do material, pois vidas ali se pendurarão e isto é de muita responsabilidade.

- Personalização de seu equipamento:  para facilitar encontrar o seu equipamento junto com o do seu companheiro no final de uma escalada é bom que ele sempre esteja marcado (personalizado) por você, as melhores maneiras são os durex coloridos, esparadrapos, silver-tapes, etc.

- Nó para fita:

              
Fig.C

- Compra: Existem hoje no mercado diversas marcas de mosquetões importados, no Brasil ainda não existe nenhum modelo nacional, os preços dos importados variam de 10$ a 45$ (dólares) e entre as marcas mais respeitadas estão os: Faders, Camp, Stubai, Petzel, Salewa, Kong Bonaiti, Black Diamond, DMM, Fixe, Lucky, Simond Chamonix, Chouinard,   etc..

- Equipo Básico: Na compra do seus mosquetões e fitas é sempre importante procurar montar uma kit estruturado deles, como: vários mosquetões simples, alguns mosquetões com trava, fitas expressas compostas de um mosquetão curvo e outro simples e fitas tubulares de diversos tamanhos.

                                                            

 

Fig.1 - mosquetão simples.

 

Fig.2 - mosquetão simples com
trava colorida.

 

Fig.3 - mosquetão siples colorido.

 

Fig.4 - mosquetão curvo com
a trava colorida.

 

Fig.5 - mosquetão curvo colorido.

 

Fig.6 - mosquetão de aço com rosca.

 

Fig.7 - mosquetão de rosca simples.

 

Fig.8 - mosquetão de rosca
em formato de pêra.

 

Fig.9 -  mosquetão de rosca
em formato de pêra curvo.

 

Fig.10 - fita expressa.

 

Fig.11 -  fitas simples.