Barómetro
Saiba mais sobre Evangelista Torricelli
Pressão atmosférica e ovos cozidos!!!
(tem tudo a ver...não acham?)Olá malta! Como podem adivinhar pelo título sugestivo, o que vos proponho neste número é um pouco invulgar, mas os resultados são bem interessantes.
Vamos ao que interessa! O que é então a pressão atmosférica? Bom, podemos defini-la como a força exercida pela atmosfera (ou respectivos gases que a constituem) sobre cada unidade de superfície (incluindo os corpos à superfície). Apesar de não nos apercebermos da sua existência, o corpo humano suporta em média, uma força resultante da pressão exercida (nos vários sentidos) de cerca de 15 toneladas – pouca coisa!!!
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Uma célebre experiência sobre a pressão atmosférica data de 1654, na cidade de Magdeburgo, após a descoberta da máquina pneumática, em que utilizando a recente descoberta removeram o ar do interior de dois "hemisférios de cobre" que ajustavam perfeitamente pela união de dois anéis de couro – o material não era lá muito sofisticado – e para os separar foram necessários 16 cavalos, 8 de cada lado. Além do espectáculo proporcionado, a experiência permitiu concluir a existência de pressão atmosférica em todas as direcções, que actuava nos hemisférios selando-os, dado que não havia pressão no interior (vácuo) que igualasse a pressão exterior. Deste modo, só a força "bruta" de 16 cavalos conseguiu a proeza de separar os hemisférios de Magdeburgo (figura 1).
É ainda neste século, que um outro cientista, de seu nome Torricelli (um ilustre discípulo do não menos ilustre físico italiano Galileu), construiu o primeiro aparelho de medição da pressão atmosférica – o barómetro de mercúrio.
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Também vocês podem construir um barómetro "caseiro", só que não com mercúrio, já que é um metal altamente poluente e tóxico, e o meu objectivo não é despachar ninguém para o hospital... Para o barómetro precisas de: 3 lápis compridos, uma garrafa de plástico pequena (sem rótulo e com o mínimo de cola possível), fita adesiva, três pedaços de plasticina, uma taça e um corante ou mesmo aguarela (para dar um toque colorido). Primeiro devem fixar com a fita adesiva os três lápis à garrafa, de forma a que a possam suportar – género tripé; depois colocam os pedaços de plasticina no fundo da taça, com a mesma distância a que se encontram os lápis na garrafa. Após encherem a taça e a garrafa com água corada até metade, devem virar a garrafa rapidamente para o interior da taça sem entornar o líquido, tapando o gargalo com os dedos. Então é só fixar os lápis na plasticina, e marcar uma escala na garrafa, que vos permita verificar subidas ou descidas do líquido, consoante a variação da pressão atmosférica (figura 2).
Tal como no barómetro de Torricelli, o princípio de medição é o mesmo, em que o peso da coluna de líquido é igual à força da pressão que a atmosfera exerce sobre uma superfície do líquido na tina. A utilização do mercúrio, por ser um líquido de densidade elevada, permitiu a Torricelli, estabelecer a pressão atmosférica padrão no valor de 1 atm (atmosfera) que suporta exactamente uma coluna de mercúrio de 760 mm de altura. O nosso barómetro não sendo de avaliação quantitativa, permite-nos apenas avaliar modificações mais ou menos significativas da pressão atmosférica.
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Agora vamos aos ovos cozidos. Para esta experiência apenas precisam de um ovo cozido (talvez dois...só para precaver), uma garrafa de vidro com tampa e cujo gargalo se ajuste ao ovo (eu utilizei uma garrafa de molho de tomate), um recipiente para aquecer água e água. Após ferver um pouco de água – cerca de ¼ da capacidade da garrafa – transfere-se, com cuidado, essa água para a garrafa de vidro e sela-se com a tampa por pouco tempo. Depois retira-se a água e rapidamente coloca-se o ovo no gargalo (com a parte mais redonda e mais larga do ovo para cima) - figura 3. Finalmente é só aguardar que o ovo entre suavemente na garrafa.
Como foi possível que o ovo entrasse, até porque depois não o consegues retirar, a não ser pelo mesmo processo? A explicação para este fenómeno reside na mudança de fase que ocorre com o vapor de água. À medida que vai arrefecendo a temperatura o vapor de água passa à fase líquida, ou seja, ao preencher o interior da garrafa com o vapor de água a pressão desse vapor impedia que o ovo entrasse, pois essa pressão igualava a pressão exterior. No entanto, a temperatura ambiente provoca a condensação do vapor de água e a diminuição da pressão deste e, consequentemente a pressão atmosférica ao exercer uma força de cima para baixo que não é contrabalançada – provoca a entrada do ovo na garrafa.
O ovo antes não entrava na garrafa porque a pressão do ar no seu interior igualava a pressão exterior.
Curiosidades:
Mais ovos cozidos...Imaginem que acabaram de subir ao alto de uma montanha com cerca de 4000 m e para retemperar forças decidiram cozer um ovo e comê-lo. Para vosso espanto a água até ferve mais rapidamente que o habitual, mas ao fim dos supostos 10 minutos de cozedura o ovo continua cru. Era um bocado "chato", especialmente se fosse o único ovo que tivessem! Como explicar esta situação? Bom, as camadas mais elevadas da atmosfera são menos densas e aí o ar é mais rarefeito, logo a pressão atmosférica é menor. A esta altitude aquela seria de cerca de 0,6 atm. Como não é a ebulição que é responsável pela cozedura do ovo mas sim a quantidade de calor que ele absorve e que é proporcional à temperatura da água, com este baixo valor de pressão, a água entra em ebulição a uma temperatura inferior à normal (100ºC). Logo seriam necessários +/- 30 minutos para o ovo cozer.
De modo inverso, a grande dificuldade da exploração marítima consiste nas elevadas pressões que se fazem sentir nas águas profundas – a 50m a pressão exterior é de 6 atm, devido à pressão hidrostática. Nestas condições, a respiração de ar de uma botija introduziria 6 vezes mais oxigénio nos pulmões e consequentemente conduziria a um envenenamento em O2 e excesso de azoto que funcionaria como um narcótico. Por isso, as botijas contém ar diluído em hélio, que é menos solúvel no sangue – só que altera a voz, "efeito do pato Donald".
A subida de um mergulhador à superfície também não pode ser muito rápida, porque a diminuição brusca da pressão apresenta dois graves problemas:
- a ruptura dos pulmões devido à rápida expansão do ar neles contido;
- a formação de bolhas de ar no sangue, embolia, devido à referida expansão e à diminuição de solubilidade do ar no sangue, devido à diminuição da pressão.
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